Pois bem, Belém. Minha cidade, cidade das mangueiras, do açaí, da chuva da tarde e do famoso “já teve”... Esta última referência deixou de ser um termo desconhecido para nós e a bola da vez é o quase centenário Cine Olímpia, para o pesar de todos os paraenses que costumavam bater no peito, orgulhosos, por possuírem o primeiro cinema brasileiro. . O engraçado é que uma crise dessas já poderia ter sido vislumbrada há muito tempo. O primeiro sinal da falência de algum lugar é quando ele não proporciona mais o conforto de antes para o seu público. E eu nunca vou esquecer quando fui assistir a “Titanic” em 98, com os seus centoenoventaequatro minutinhos de duração. Desde esse dia, fiquei com trauma de assistir a filmes com mais de duas horas de duração em locais que não fossem o sofá da minha casa. . Com o assento da cadeira totalmente inclinado, me fazendo escorregar, eu agüentei firme até o último minuto. O intrigante é que o Olímpia estava lotado! Para comprar as entradas, peguei uma fila que passava do portão das Lojas Americanas. Por que esse descaso? Descaso tanto para com o público quanto para com o próprio cinema, vale ressaltar. . Investimentos em cultura e lazer é promessa básica de todos os candidatos políticos. Uma vez no poder, eles até tentam criar coisas novas, melhorar um ponto turístico cheio de empresas importantes, etc. E o que está ali, bem do centro da cidade, quieto com seus filmes, acabou sendo ignorado. Talvez seja o caso dos excelentíssimos pegarem um cineminha mais vezes depois de eleitos. . E, pelo andar da carruagem, teremos um cinema a menos na cidade. Vamos logo preparar a grana para a gasolina, a disposição para pegar o ônibus e a paciência para enfrentar o Entroncamento, pois se o filme desejado não estiver em cartaz nos Cinemas 1, 2 e 3 ou no Nazaré 1 e 2, o jeito será se deslocar pr’aquelas bandas, onde as salas são mais modernas, com formato de arquibancada e telas gigantes (características que não fazem parte da realidade dos cinemas que ainda temos aqui no centro da cidade, portanto já é mais uma questão preocupante). . Seria muito bom se todos pensassem com o objetivo de prevenir/evitar e não de remediar/consertar o que está errado. Quem sabe, pensando assim, o Olímpia ainda poderia se destacar como o primeiro cinema do Brasil por mais um tempinho? Seja lá o que acontecer com nosso Patrimônio Histórico, esse fato servirá de lição para nós. E talvez as gerações futuras possam aprender um pouco a tratar essas coisas todas as quais chamamos de cultura com mais atenção e prudência.
Goodbye, Olímpia...
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