10 Fevereiro 2006
Um pouco de indignação para começar o ano...
Pois bem, Belém.
Minha cidade, cidade das mangueiras, do açaí, da chuva da tarde e do famoso “já teve”... Esta última referência deixou de ser um termo desconhecido para nós e a bola da vez é o quase centenário Cine Olímpia, para o pesar de todos os paraenses que costumavam bater no peito, orgulhosos, por possuírem o primeiro cinema brasileiro.
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O engraçado é que uma crise dessas já poderia ter sido vislumbrada há muito tempo. O primeiro sinal da falência de algum lugar é quando ele não proporciona mais o conforto de antes para o seu público. E eu nunca vou esquecer quando fui assistir a “Titanic” em 98, com os seus centoenoventaequatro minutinhos de duração. Desde esse dia, fiquei com trauma de assistir a filmes com mais de duas horas de duração em locais que não fossem o sofá da minha casa.
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Com o assento da cadeira totalmente inclinado, me fazendo escorregar, eu agüentei firme até o último minuto. O intrigante é que o Olímpia estava lotado! Para comprar as entradas, peguei uma fila que passava do portão das Lojas Americanas. Por que esse descaso? Descaso tanto para com o público quanto para com o próprio cinema, vale ressaltar.
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Investimentos em cultura e lazer é promessa básica de todos os candidatos políticos. Uma vez no poder, eles até tentam criar coisas novas, melhorar um ponto turístico cheio de empresas importantes, etc. E o que está ali, bem do centro da cidade, quieto com seus filmes, acabou sendo ignorado. Talvez seja o caso dos excelentíssimos pegarem um cineminha mais vezes depois de eleitos.
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E, pelo andar da carruagem, teremos um cinema a menos na cidade. Vamos logo preparar a grana para a gasolina, a disposição para pegar o ônibus e a paciência para enfrentar o Entroncamento, pois se o filme desejado não estiver em cartaz nos Cinemas 1, 2 e 3 ou no Nazaré 1 e 2, o jeito será se deslocar pr’aquelas bandas, onde as salas são mais modernas, com formato de arquibancada e telas gigantes (características que não fazem parte da realidade dos cinemas que ainda temos aqui no centro da cidade, portanto já é mais uma questão preocupante).
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Seria muito bom se todos pensassem com o objetivo de prevenir/evitar e não de remediar/consertar o que está errado. Quem sabe, pensando assim, o Olímpia ainda poderia se destacar como o primeiro cinema do Brasil por mais um tempinho? Seja lá o que acontecer com nosso Patrimônio Histórico, esse fato servirá de lição para nós. E talvez as gerações futuras possam aprender um pouco a tratar essas coisas todas as quais chamamos de cultura com mais atenção e prudência.


Goodbye, Olímpia...

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posted by Thais Coimbra @ 8:57 AM   4 comments
( Parênteses )
(Há muito tempo eu entrava neste blog, olhava pra ele, e a vontade e inspiração em escrever se dissipavam no ar que nem "fumaça de cigarro vagabundo" – analogia emprestada do senhor 'Dead Richard'. Mas aqui estou eu em mais uma tentativa de botar a Audácia da Filombeta em funcionamento constante. Eu acho que consigo.)

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posted by Thais Coimbra @ 8:42 AM   1 comments
A Filombeta

Thais Coimbra
Belém (PA) + São Paulo (SP), Brasil

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*Audácia da Filombeta ®: Expressão criada por Maurício de Sousa que, na verdade, tem origem na famosa frase de Didi Mocó (personagem de Renato Aragão), quando queria tirar onda com alguém, no programa humorístico "Os Trapalhões" (1966).

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