Viver em uma metrópole está me fazendo mal. Está despertando o que há de pior em mim. Percebi isso enquanto esperava o ônibus para o trabalho, numa manhã chuvosa e, obviamente, gélida.
Meu ônibus chegou lotado, o que já me faz desistir de pegá-lo. Acho que eu desisto muito fácil das coisas, pois essa situação não faz com que os trabalhadores que me fazem companhia no local pensem da mesma forma. É o povo brasileiro, que não desiste nunca e não se importa em ficar socado dentro de um coletivo. Esse pessoal não se importa, inclusive, de ficar mantendo a porta do ônibus aberta, esperando que algum milagre aconteça, fazendo brotar mais chão dentro do veículo. Enquanto eles esperam, a droga do ônibus não sai do lugar e o caos do trânsito se instala. “Se a porta não fecha, o ônibus não sai”, informa o super prestativo motorista.
Vendo esta cena, com frio e um guarda-chuva meio quebrado, eu olho para o coletivo e vejo as pessoas acomodadas do jeito que dá e, lógico, com as caras emburradas. Imagino até o que pensam: “esses desgraçados querendo entrar aqui e eu super atrasado”... Eu também pensaria a mesma coisa. Uma prova da falta de generosidade que está tomando conta do meu ser.
De repente, vejo uma pessoa dormindo. Cabeça encostada no vidro do ônibus, provavelmente sonhando que ainda está em sua cama quentinha... Seu semblante transmitia uma paz tão grande... Era uma serenidade tão contrastante com a agonia do lado de fora...
... Que me deu vontade louca de dar um soco na janela onde esse maldito estava encostado.
Esta cidade deixa as pessoas meio insanas.
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qnt ódio no coração.
gostei.